quarta-feira, 25 de maio de 2016

MISTURA DE FÉ

















MISTURA DE FÉ


Eu te benzo eu te curo

Pelo milagre da fé

Sou fumaça de bazé

Na boca da benzedeira

Sou mãos da velha Parteira

Que trás a vida pra fora

Sou reza fora de hora

Pra quem chora no apuro

Sou a vela no escuro

Na força do pensamento

Sou remédio pelo vento

Na fechadura do corte

Sou pedra que tira morte

Da goela da serpente

Sou reza de penitente

Sou a folha de benzer

Sou agulha de coser

Costurando o patuá

Sou terreiro de dançar

Sou reza de ladainha

Sou galho de vassourinha

Fazendo sinal da cruz

Sou farto banho de luz

Conforme o espiritismo

Sou a água do batismo

Na fronte do batizado

Sou culto discriminado

Que fica nos arredores

Sou reclamo dos menores

Sou o grande ajoelhado

Sou enfim, o misturado

Da fé de quem acredita

Sou católico sou espírita

Benzedeira e rezador

Sou crença de toda cor

Sou amuleto seguro

Eu te benzo eu te curo

Em nome do criador!!!


(Orestes Albuquerque)  

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

LUA CHEIA











Serei de ti, até à lua cheia
Dividirei contigo meu destino
Te contarei meu tempo de menino
Te deixarei pulsar na minha veia
 
De ti, farei retrato do que sou
Pra te olhar, quando quiser me ver
E, quando a lua reaparecer
La estarei, de riso sedutor

Posso fingir, se me quiser fingido
Posso contar do sonho que não tive
Posso morrer no sonho, inclusive
Só pra te ver, de coração partido

Terei de ti, o braço e o abraço
Da tua mão, amigarei a minha
A ti, darei reinado de rainha
Amarrarei a vida no teu passo

E, bendirei de ti a toda hora
Embora seja tudo fantasia
Meu olho de poeta te vigia
E minha alma tola te adora!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A PÉA DE FUMO















Já fui a folha mais bela

Das folhas do seu pomar

Era clara de brilhar

Um cheiro embriagador

Macia como uma flor

Um verdume de veludo

Como o tempo acaba tudo

Repare como fiquei

              II

Certo dia me pintei

Fizeram trança de mim

Fui parar no butiquim

Na boca de quem me queira

Negociada na feira

No mais miúdo varejo

A cada palmo me vejo

Cortada no canivete

               III

Mascada como chiclete

Na boca do caipora

Jogada de porta a fora

Depois do mel acabado

Sou pisada pelo gado

Nem a formiga me quer

Folha que solta do pé

Não sabe onde vai parar
 
             IV

Um dia vão me fumar

Me queimar devagarinho

Me esconder num cantinho

Como se eu fosse culpada

Noutro dia sou mascada

Cuspida na lata véa

Termino virando péa

Jogada pelo quintal

             V

Me larguei do bananal

Levada pelo morcego

Fui parar dentro dum rego

Que escorria do cano

Fui salva por um cigano

Que gostava de “pitá”

Terminei a fumaçar

No derradeiro consumo

             VI

Da bela folha de fumo

Restou a péa de mim

Resmungo meu triste fim

Nunca vi pior lugar

No dente de mastigar

Da boca do fazendeiro

Cuspida no seu terreiro

Pro rola-bosta brincar!!!

ABANADOR





















Subiu a temperatura

Da jura, do maldizer

O gelo vai derreter

Nas profundezas do mar


O homem vai acabar

Com os recursos da terra

Não cansa de fazer guerra

Só pra contar os feridos


Oceanos entupidos

De lixo de experiências

Arrisca a própria existência

Com mania de grandeza


Insulta a natureza

Que já lhe manda sinais

O pior dos animais

Atira no próprio pé


O aumento das marés

As altas temperaturas

Pobres gerações futuras

Não verão um pé de pau


Beberão água de sal

Desenganados da vida

A terra desmilinguida

Implora pelo seu manto


É mãe que chora seu pranto

Por conta do filho ingrato

Que botou fogo no mato

Pra semear de capim


O resultado no fim

É a terra derreter

E o homem a se arder

Sem ter um abanador!!!

SAIA DE RENDA



 
 
 
 
 
 







 
Quisera ser costurado

Na renda da tua saia

Pra quando fores à praia

Ir pendurado contigo

              II

Imagino meu castigo

No fustigado do vento

No maior do sofrimento

Vento pra lá e pra cá

             III

Meu velho querido mar

Me faça combinação

Não molhe meu coração

Na altura do babado

               IV

Mantenha-se recuado

Durante o passeio dela

Não lhe passe da canela

Que não sou de aventura

              V

Se a maré tiver altura

Traga a menina pra fora

Não lhe banhe com demora

Que posso me resfriar

             VI

Peça a ela pra botar

Todo dia a mesma saia

De babado de cambraia

Pro vento me fustigar!!!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

AO ACASO


Acaso nunca se sabe

Porquanto nunca duvide

Se acaso coincide

Não faz de caso pensado

Acaso não foi criado

Pendurado na boléia

Acaso não faz idéia

Não se cabe num intuito

Acaso é caso fortuito

Resulta do imprevisto

Acaso é mando de Cristo

Um truque da natureza

Porventura, incerteza

Destino, sorte, talvez

Deixado a gosto de Deus

Pendendo pro Deus dará

No caso vou esperar

Que o acaso me saiba

E se acaso me caiba

Me tome se for o caso

Mas porém se por acaso

O acaso não vier

Me pego na minha fé

Esperando que um dia

Senhor acaso me diga

De onde vem a cantiga

Que tanto me melodia!!!

ROCEIRO ENCABULADO


Muito tempo to sozinho,

meu pente da bem guardado,

esperando para o ano,

com dinheiro do roçado

mandar fazer minha roupa,

do pano mais engomado

cabelo de brilhantina,

bigode bem aparado

pra quando me der com ela,

não ficar encabulado

namorar no escurinho,

a dona do meu roçado!