quarta-feira, 25 de maio de 2016

REZA BOA DE SINHÁ





 
 
 
 
 
 
 
 
 
REZA BOA DE SINHÁ

 
Botei a dor num recado

Mandei menino levar

Vá pegar os seus “calçado”

Vá na casa de Sinhá


Diz que tô adoentado

Não me contenho de dor

Diz que foi um machucado

Que fulana me “butô”

 
Diga que padeço louco

Por causa daquela ingrata

Que já estive por pouco

Que ela ainda me mata

 
Fiquei de punho cerrado

Apertando o patuá

Assim de olhos fechado

Até menino voltar

 
Me tranquei na camarinha

Me cobri de oração

Me benza de vassourinha

Me livre da injeção

 
Viajei no pensamento

Para a casa de Sinhá

Veio a cura pelo vento

Eu aqui ela aculá

 
Me benzeu de manhazinha

Me curei no mesmo dia

Saravá pra Sinhazinha

Pai nosso ave Maria

 
Meu bem-querer comovido

Ta resolvida voltar

Me butou de preferido

Pensa inté em se casar

 
Menino vá no terreiro

Pegue milho vá chamar

Escolha a melhor galinha

Dispene para Sinhá

 
Sinhá me pôs de namoro

Com quem jurava que não

Tornai em dedo de ouro

Os dedo da sua mão!!!

 

 

 

MISTURA DE FÉ






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MISTURA DE FÉ
 

Eu te benzo eu te curo

Pelo milagre da fé

Sou fumaça de bazé

Na boca da benzedeira

 
Sou mãos da velha Parteira

Que trás a vida pra fora

Sou reza fora de hora

Pra quem chora no apuro

 
Sou a vela no escuro

Na força do pensamento

Sou remédio pelo vento

Na fechadura do corte

 
Sou pedra que tira morte

Da goela da serpente

Sou reza de penitente

Sou a folha de benzer

 
Sou agulha de coser

Costurando o patuá

Sou terreiro de dançar

Sou reza de ladainha
 

Sou galho de vassourinha

Fazendo sinal da cruz

Sou farto banho de luz

Conforme o espiritismo

 
Sou a água do batismo

Na fronte do batizado

Sou culto discriminado

Que fica nos arredores

 
Sou reclamo dos menores

Sou o grande ajoelhado

Sou enfim, o misturado

Da fé de quem acredita

 
Sou católico sou espírita

Benzedeira e rezador

Sou crença de toda cor

Sou amuleto seguro

Eu te benzo eu te curo

Em nome do criador!!!

 

(Orestes Albuquerque)