segunda-feira, 19 de maio de 2014

NULHER VALENTE

 
 




Menina pequena

Menina miúda

Tão cedo se muda

Pra fazer o lar

 

Pôs-se a trabalhar

Feito uma formiga

Cansou a barriga

De tanto gerar

 

Sem querer ficar

Presa no fogão

Uma ocupação

Era necessário

 

Não tinha salário

Nem força de homem

E onde muitos comem

Carece fartura

 

Caiu na costura

De noite e de dia

Com toda família

Costurada nela

 

Calcinha amarela

Bordados e rendas

Muitas encomendas

Sendo preparadas

 

Tantas madrugadas

Carregando pano

Entra ano sai ano

Na mesma toada

  

Tesoura amolada

Rangindo no pano

Maquinas costurando

Na mão das meninas

 

Bordados e linhas

Por cima da mesa

Toda miudeza

Agulhas e renda

 

Hora da merenda

Parava a costura

Mesa com fartura

Comia quem vinha

 

Foi a mãe Mundinha

De outras pessoas

Mundinha tão boa

Que tanto admiro

 

Criou muitos filhos

Como uma leoa

Virou a patroa

Da família inteira

 

Mundinha faceira

Na fotografia

Mundinha sorria

Na minha memória

 

Essa é a história

Da mulher guerreira

Mundinha Silveira

Exemplo de Mulher!!

terça-feira, 6 de maio de 2014

ONÇA PINTADA



Olhos da onça pintada
Me diga quem te pintou
Se foi o verde da mata
Se foi o teu caçador

Olhos de pedra safira
Banhados de turmalina
Esmeralda de pupila
Diamante de retina
 
Olhos claros de cascata
Que se derrama no rio
Livrai-os de catarata
Livrai-os de extravio!!

sexta-feira, 28 de março de 2014

SONHO MEU












Sonhei contigo, doce bem-querer

Te deslizava a mão pelos cabelos

De resto, me perdi em pesadelos

Que me tornei escravo de te ver


E tu sorrias, certo que sonhavas

Fechava os olhos plenos de doçura

E em teu colo quente me tomavas

Feito um ardente imenso de ternura


E eu me fiz de ti adorador

Por toda vida enquanto te sonhar

E tu que distraída sem pudor

Flutuavas sobre mim a desabar


Todos os homens iam te beber

Inesgotável fonte que tu eras

O puro mel de flor das primaveras

Da tua face doce a escorrer 


E, dei por mim, por ti enciumado

Por te querer somente para mim

Durante o sonho fui teu namorado

Jurando meu amor até o fim


E tu, de sonho te fizeste brasa

A te queimar até te consumir

Do sonho meu, não sei a tua casa

Pois acordei a procurar por ti!!!

terça-feira, 18 de março de 2014

FILHO DA MÃE



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nunca vi mamãe chorar
Nem de moça nem sinhá
Nem quando toda canaia
Se arranchou na sua saia
 
Nunca vi mamãe cansada
Choramingando por nada
Nem quando faltava ovo
No pirão daquele povo
 
Nunca vi mamãe caída
Tristonha desinxavida
Nem quando tudo ruía
Nos tempos de agonia
 
Nunca vi mamãe ruída
Capionga pela vida
Nem quando perdeu o filho
Rodando no catabilho
 
Nunca vi mamãe ausente
Por causa de tempo quente
Nem quando teve queimada
Beirando sua morada
 
Nunca vi mamãe parada
No mundo sem fazer nada
Só nas noites de domingo
Que fumava seu cachimbo
 
Nunca vi mamãe de choro
Nem no tempo de namoro
Só se foi quando pedia
Para ir na cantoria
 
Nunca vi mamãe na farra
Com a saia feito barra
Nem no tempo de donzela
Com vestido na canela
 
Nunca vi mamãe no frevo
Sobre isso não escrevo
Admito uma valsa
Engomando minha calça
 
Nunca vi mamãe a pé
Só se foi no Canindé
Ou então passando o rio
Com o fogo de pavio
 
Nunca vi mamãe na praia
Nem de tanga nem de saia
Só se foi na meninice
Coisa que nunca me disse
 
Nunca vi mamãe com frio
Nem na fonte nem no rio
Só se foi adolescente
Na vazante da enchente
 
Nunca vi mamãe rezar
Sem o Padre lhe cobrar
Só se for a ladainha
Com o terço da vizinha
 
Nunca vi mamãe aflita
Pela falta de marmita
A boia tava segura
Com farinha e rapadura
 
Nunca vi mamãe saída
Não fosse na despedida
Nem que fosse apaixonada
Pelo dono da boiada
 
Nunca vi mamãe no bar
Tendo louça pra lavar
Nem se fosse convidada
Pra cair na batucada
 
Nunca vi mamãe com medo
Nem de tarde nem de cedo
Só se for bicho valente
Pra ficar na sua frente
 
Nunca vi mamãe de briga
Com a faca na barriga
Só se fosse por um filho
Ter quebrado um pé de milho
 
Nunca vi mamãe solteira
Voltando da gafieira
Só se foi naquele dia
Que eu dormi na minha tia
 
Nunca vi mamãe subir
No jumento sem cair
Só se fosse num cabrito
Coisa que não acredito
  
Nunca vi mamãe na feira
Sem ter água na chaleira
Nem que fosse pendurado
Na barraca do fiado
 
Nunca vi mamãe largada
Tico-tico, separada
Só se foi no intervalo
Isso é coisa que não falo
 
Nunca vi mamãe na rua
Mais também não vi a tua
Só se foi muito escondido
Outra coisa que duvido
 
Nunca vi mamãe doente
Nem que fosse dor de dente
Só se foi barriga inchada
Da espiga mal-assada
 
Nunca vi mamãe em casa
Que não fosse feito brasa
Esquentando a titela
Na quentura da panela
 
Nunca vi mamãe ficar
Sem ter conta pra pagar
Só se foi no Mansueta
Que perdeu a caderneta
 
Nunca vi mamãe com sede
Com caneco na parede
Só se quebrou a muringa
No alpendre da Zaninga
 
Nunca vi mamãe na pia
Que não fosse todo dia
Só se foi no feriado
Foi comer no afilhado
 
Nunca vi mamãe de fogo
Nem no fumo nem no jogo
Só se foi num pic-nic
Que ela foi de Maverik
 
Nunca vi mamãe sambar
Tendo conta pra pagar
Só se foi comemorar
Nas regatas do Preá
 
Nunca vi mamãe com fé
No espirro do rapé
Preferia a chaminé
Do cachimbo de bazé
 
Nunca vi mamãe afoita
De mocinha pular moita
Nem pensar nesse pecado
Dou o verso por encerrado!!! 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 17 de março de 2014

MÃE DE MIM



 
 
 
 
 



Mãe do homem que sou eu

Mãe do pai e mãe do filho

Frutuoso pé de milho

Do qual eu sou uma espiga

Já fui a tua barriga

Em estado interessante

Já fui um pouco adiante

Teu menino bajulado

Tive o nome alinhavado

Com amor absoluto

Vez em quando inda escuto

Sorriso no meu ouvido

O cheiro do teu vestido

Me levando pro passado

Tu és um doce guardado

A fulô do meu canteiro

A minha água de cheiro

Que nunca saiu de moda

És o rodado da roda

Moinho soprando vida

Sem ti sou pedra perdida

Que cai do a tiracolo

Me carregaste no colo

Me penduraste no peito

Hoje que sou homem feito

Quem te carrega sou eu!!!

quarta-feira, 12 de março de 2014

CRAVO IMPACIENTE


 


 
 
 
 
 



Plantei um pé de Roseira

No jardim da minha casa

A formiga criou asa

E ela, nada de Rosa

Não me seja preguiçosa

Minha roseira querida

Me faça sob medida

Com dotes de feiticeira

Uma Rosa bem faceira

Coberta de predicados

De contornos perfumados

Pra me tornar seu escravo

Quem te suplica é o Cravo

Caidinho de amor

Por uma suposta Flor

Que nem saiu do caroço

Me faça mais um esforço

Padeço de longa espera

Aqui da minha janela

Esperando teu rebento

Exijo um acabamento

Não te plantei pra madeira

Tardando segunda feira

Espero um anunciado

Ou te pico no machado

E planto outra Roseira!!!

segunda-feira, 10 de março de 2014

A MULHER DA POESIA

 
 
Meu vinho meu aguardente

Minha rima meu apelo

Afago do meu cabelo

Meu cacho de mata-fome

Um verso para teu nome

Em nome da poesia

Te adoro todo dia

Te trago dentro do peito

Todo dia tenho feito

Molduras no teu retrato

Assim no anonimato

Te vejo na madrugada

Andando pela calçada

E você nem adivinha

E como se fosses minha

Te faço minha rainha

Mulher de conto de fada!!!