quarta-feira, 12 de março de 2014

CRAVO IMPACIENTE


 


 
 
 
 
 



Plantei um pé de Roseira

No jardim da minha casa

A formiga criou asa

E ela, nada de Rosa

Não me seja preguiçosa

Minha roseira querida

Me faça sob medida

Com dotes de feiticeira

Uma Rosa bem faceira

Coberta de predicados

De contornos perfumados

Pra me tornar seu escravo

Quem te suplica é o Cravo

Caidinho de amor

Por uma suposta Flor

Que nem saiu do caroço

Me faça mais um esforço

Padeço de longa espera

Aqui da minha janela

Esperando teu rebento

Exijo um acabamento

Não te plantei pra madeira

Tardando segunda feira

Espero um anunciado

Ou te pico no machado

E planto outra Roseira!!!

segunda-feira, 10 de março de 2014

A MULHER DA POESIA

 
 
Meu vinho meu aguardente

Minha rima meu apelo

Afago do meu cabelo

Meu cacho de mata-fome

Um verso para teu nome

Em nome da poesia

Te adoro todo dia

Te trago dentro do peito

Todo dia tenho feito

Molduras no teu retrato

Assim no anonimato

Te vejo na madrugada

Andando pela calçada

E você nem adivinha

E como se fosses minha

Te faço minha rainha

Mulher de conto de fada!!!

sábado, 8 de junho de 2013

JANELA DE NÓS DOIS

 
Te vi assim, a procurar suponho
Revirando meu sonho
A procurar por mim
 
E eu assim, a procurar por ti
Até me consumir
Sem perceber de mim
 
Te vi assim, a enganar o tempo
A me chamar no vento
A esperar por mim
 
E eu aqui, a caminhar comigo
A tropeçar contigo     
A esperar por ti
 
Te vejo em todos os lugares
Na noite pelos bares
Na toada do cantor
 
Te vejo passar na tempestade
Nos anúncios da cidade
No espelho da vitrine
 
Te vejo em mim, na roupa mais bonita
Quando a sorte me visita
Numa noite de luar
 
Te vejo enfim, um leve pensamento
Uma silhueta em movimento
Um perfume a vagar no abstrato
 
E eu na janela respirando a rua
Janela que é tão minha quanto tua
Pois que tanta companhia já me fez
 
De tanto procurar não sei de mim
À espera de ti fiquei assim
A procurar por ti, a procurar por mim!!


 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

SAUDADE SEM FIM

 

A saudade faz morada

No batente do meu peito

Coração fica estreito

Quando ele vai embora

Bate do lado de fora

Não se cabe de anseios

Extraviado sem freios

Como sido abalroado

Faria qualquer pecado

Pra dormir sobre seu peito

Enroscar daquele jeito

Repousar no seu cansaço

Adormecer no seu braço

Dar o dedo pra saudade

Misturar nossa vontade

Reunir nossos desejos

Dormir coberta de beijos

Possuída, sufocada

Sem me dar conta de nada

Apagada a minha chama

Dividindo a minha cama

Com minha outra metade

Razão da minha vontade

Metade da minha vida

Meu sonho minha guarida

Minha alma prometida

Sem ti sou pedra perdida!!!


sábado, 30 de março de 2013

DIA DE SÃO JOSÉ





Terra seca de poeira

Cemitério de ossada

Esperança mutilada

Misericórdia também

De sorte ainda tem

O Dezenove de Março

A enxada e o braço

A coragem e a fé

É dia de São José

Feriado no sertão

Mulheres terço na mão

Homens tirando chapéu

Olhos virados pro céu

Suplicando um sereno

Uma chuva pelo menos

Que lhe pare de rezar

Ou que lhe possa tirar

A terra seca dos olhos

Sentir o cheiro do solo

Ver a goteira na sala

E o Santo que nunca falha

Lhe manda chuva na mente

E tudo vira semente

Num banho de alegria!!

sábado, 9 de março de 2013

SEMPRE MULHER












Tu, que sabe dos caminhos
Que ninguém ensina
Tu, que mora num sorriso
Frouxo de menina
Tu, que arrebata os homens
Ao virar mulher
Tu, que me derrama a sorte
Quando não me quer
Tu, que mata meu desejo 
Pela noite a fora
Tu, que me fere de morte
Quando vai embora
Tu, que me desmonta todo
Quando me convida
Somente tu, MULHER
Faz meus sentidos virar brasa
Faz o que quer da minha casa e
Da minha vida!!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CORAÇÃO NAVEGADOR



Meu coração, navegador de tantos mares
Aponta a vela para o vento mais fugaz
Tão rabiscado tatuado em mil lugares
Ancora manso no batente do teu cais
 
E tu que descuidada de tão bela
Quaras ao sol esparramada na censura
E eu te trago como prenda na baixela
Meu coração a derramar-se numa jura
 
Quisera eu ter uma noite no teu leito
Ser seduzido até onde me levares
Arrebatada tatuada no meu peito
Sair contando nossa noite pelos bares
 
A onda mansa que envolve os navegantes
Percorre mares fustigada pelo vento
Embala a noite no veleiro dos amantes
Me leva embora com o sol de mar a dentro!