sexta-feira, 31 de maio de 2013

SAUDADE SEM FIM

 

A saudade faz morada

No batente do meu peito

Coração fica estreito

Quando ele vai embora

Bate do lado de fora

Não se cabe de anseios

Extraviado sem freios

Como sido abalroado

Faria qualquer pecado

Pra dormir sobre seu peito

Enroscar daquele jeito

Repousar no seu cansaço

Adormecer no seu braço

Dar o dedo pra saudade

Misturar nossa vontade

Reunir nossos desejos

Dormir coberta de beijos

Possuída, sufocada

Sem me dar conta de nada

Apagada a minha chama

Dividindo a minha cama

Com minha outra metade

Razão da minha vontade

Metade da minha vida

Meu sonho minha guarida

Minha alma prometida

Sem ti sou pedra perdida!!!


sábado, 30 de março de 2013

DIA DE SÃO JOSÉ





Terra seca de poeira

Cemitério de ossada

Esperança mutilada

Misericórdia também

De sorte ainda tem

O Dezenove de Março

A enxada e o braço

A coragem e a fé

É dia de São José

Feriado no sertão

Mulheres terço na mão

Homens tirando chapéu

Olhos virados pro céu

Suplicando um sereno

Uma chuva pelo menos

Que lhe pare de rezar

Ou que lhe possa tirar

A terra seca dos olhos

Sentir o cheiro do solo

Ver a goteira na sala

E o Santo que nunca falha

Lhe manda chuva na mente

E tudo vira semente

Num banho de alegria!!

sábado, 9 de março de 2013

SEMPRE MULHER












Tu, que sabe dos caminhos
Que ninguém ensina
Tu, que mora num sorriso
Frouxo de menina
Tu, que arrebata os homens
Ao virar mulher
Tu, que me derrama a sorte
Quando não me quer
Tu, que mata meu desejo 
Pela noite a fora
Tu, que me fere de morte
Quando vai embora
Tu, que me desmonta todo
Quando me convida
Somente tu, MULHER
Faz meus sentidos virar brasa
Faz o que quer da minha casa e
Da minha vida!!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CORAÇÃO NAVEGADOR



Meu coração, navegador de tantos mares
Aponta a vela para o vento mais fugaz
Tão rabiscado tatuado em mil lugares
Ancora manso no batente do teu cais
 
E tu que descuidada de tão bela
Quaras ao sol esparramada na censura
E eu te trago como prenda na baixela
Meu coração a derramar-se numa jura
 
Quisera eu ter uma noite no teu leito
Ser seduzido até onde me levares
Arrebatada tatuada no meu peito
Sair contando nossa noite pelos bares
 
A onda mansa que envolve os navegantes
Percorre mares fustigada pelo vento
Embala a noite no veleiro dos amantes
Me leva embora com o sol de mar a dentro!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

MENINA MOÇA


Eu prometo ser fiel

Guardar o doce do mel

Para quem já me devora

Mil noites antes da hora

Joãozinho me olhou

Com olhos de predador

Fez um desenho de mim

Com a boca de carmim

A cobra já me rodeia

Mais bonita do que feia

Já sinto olho comprido

Roçando no meu ouvido

Por enquanto sou menina

Com carteira de vacina

Não posso compartilhar

Nem alcanço pra beijar

Quando vier o sinal

Menina passando mal

O corpo tomando jeito

Caroço virando peito
 
Quando vier o desejo

A boca sonhando beijo

Vou deixar o brigadeiro

Pela rosa no cabelo

Já me vejo debutante

Me tornando diamante

Meu diário rabiscado

Contando nosso pecado

Menina com quem será

Que Rosinha vai casar

Por ora inda não sei

Quantos encantos terei!!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

DEPOIMENTO DE UM POETA ANÔNIMO


UM POETA DESPOJADO: ZÉ ORESTES

Filho de peixe, peixinho é, já nos ensina o adágio popular. Apaixonado por esta nossa cidade de Cruz, Zé Orestes, radicado em São Paulo, desde quando pra lá, a exemplo de tantos nordestinos, seguiu em busca de melhores tempos, e conseguiu-o. 

Teimando contra os reveses próprios de uma terra que não deixa de ser a cada dia estranha pela absorção de tantas raças e culturas, bacharelou-se em direito e prestou concurso público logrando aprovação. Hoje, depois de tantos anos, aguarda ansioso os louros da aposentadoria... merecida aposentadoria.

Filho do Mestre Zeca Muniz, maior expoente destas bandas de cá na arte da expressão maior da alma, a poesia, Zé Orestes é o que se pode definir como um poeta sui generis: ele tem o dom de dar nós nas palavras que enlaçam o leitor. A forma despojada com que escreve somente se compara ao seu estilo de vida. Aberto. Receptivo. Simples...

Indubitavelmente, escrever é um estado de espírito, e poucos são os que conheço que tem este estado tão elevado e ao mesmo tempo tão humilde. Certamente deve ser por isso que de seu manancial inesgotável brota tantas maravilhas literárias. O homem está sempre de bem com o mundo. 

Ainda não mais do que há um mês, no mercado público daqui de Cruz, vi-o com aquele seu estereótipo característico: chinelão, calças largas, chapéu e blusa de seu time do coração, o Santos, e a mão sempre estendida para um forte aperto que é seguido de um afetuoso abraço. Boa gente este meu amigo, gente muito boa.

Diz-se dele, os que têm o privilégio de orbitar-lhe, sim, pois tão grande pessoa e tal qual um sol que obedece as leis físicas dos astros, tem gravidade e captura para seu raio de atração corpos celestes menores que beneficiam-se de sua luz perenemente irradiada. 

Eu fui capitado por ele, como anteriormente fui capitado por seu velho pai, uma supernova que já se extinguiu e que eternamente expande pelo universo sua radiação através da musicalidade de seus poemas. Assim também foi com Zé Orestes e sua poesia. A força de atração de sua alma transmutada nos seus versos soltos aprisionou-me na eternidade das rimas e nas costuras das palavras que somente ele sabe como fazê-las; e, como se no vácuo estivesse, o tempo não é percebido, somente a insustentabilidade da leveza de seu espírito de poeta... grande poeta.

A ti meu amigo, quem dera tivesse eu o mesmo dom que te é inato, e pudesse expor em texto todo o meu apreço e admiração não somente pelo que escreves, mas pelo exemplo de vida que verdadeiramente és. Como não sou íntimo das palavras, te exponho da forma que sei e que tanto cultivo como valor inestimável e que tem a linguagem universal: a AMIZADE que te nutro e imensamente me honra.


RESPOSTA:

Pôxa vida!!!!!!!!!!! O que poderia eu, me atrever a dizer, depois dessa magna página, dessa cachoeira de tão doces palavras? Só mesmo um grande poeta poderia discorrer com tanta fluência e zêlo. Puseste-me em estado de emoção com tanta lisonja e afeto. Por certo, não te identificastes, pela modéstia. És um sábio de letras livres e suaves que já te consagram um grande poeta da nossa cidade de Cruz. Admiro-te no estilo e na generosidade!!!

sábado, 20 de outubro de 2012

DONA RITA

Dona Rita tão bonita,
Tão faceira tão amiga,
Olhando não há quem diga,
Que não era da família.
Era a mãe e era a filha,
Do Velho Zeca Muniz,
Na hora de ser feliz,
A Rita caiu doente.
Lutou com unhas e dentes,
Até perder os cabelos,
A doença fez novelos,
Amarrou suas passadas.
Agora já bem cansada,
Não resistiu a batalha,
E a vida numa falha,
Lhe levou antes da hora.
Dona Rita vai embora,
Deixando muita saudade,
Cativou a amizade,
De gente que não é sua.
Foi de mudança pra lua,
Dar de comer às estrelas!!!