Tirei uns quarenta dias
Pra sumir na capoeira
Comecei a bebedeira
Logo no dia seguinte
Amigos pra mais de vinte
Contentes com a surpresa
Me buscou em Fortaleza
Um amigo de primeira
Provocamos tremedeira
Nas garrafas da cidade
É ruma de amizade
Que todo dia me chama
Pra pescaria na lama
No rio da Manuela
No açude, na pinguela
Na Barrinha, no Preá
Na Croa Grande do Mar
Na terra do Jenipapo
Ou no Buraco do Sapo
Na baixa do Zacaria
Na fogueira da Bibia
Ou na Lagoa dos Bode
O Bagre sempre que pode
Me leva pra Macajuba
Pensando que me derruba
Com meia dúzia de cana
Logo cedo é caravana
O telefone tocando
O povo me convidando
Vambora queimar o dente
Tomara que eu agüente
E o fígado não se queixe
Bora pro caldo de peixe
Na lagoa do Bobó
Pra depois tirar o pó
La no Alto da Colina
Ainda tem a menina
O beijo na madrugada
Os carinhos de carrada
Cuidados que nem mereço
A todos eu agradeço
Pelo gesto de grandeza
A ruma de gentileza
Que estragaram comigo
Me despeço comovido
Um abraço do amigo
Numa rede em Fortaleza!
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
domingo, 30 de outubro de 2011
O MENINO DE ANINGAS
Retratado no poema
Um garoto sonhador
O menino de Aningas
Muito cedo já voou
Tempo quente de fogueira
Sua terra fustigou
O jardim da sua casa
Folha seca devorou
Viajou pro fim do mundo
Numa onda de calor
Esgotada toda sorte
Abalada toda fé
Uma reza pra Francisco
Uma prece pra José
Promessa pro Pade Ciço
Pro Assis do Canindé
O sol ardendo de fogo
O rio, água no pé
Embarcou na tempestade
Levado de currupio
A estrada sinuosa
De poeira lhe cobriu
O vento nos seus cabelos
O medo fazendo frio
O cheiro de gasolina
Até hoje não saiu
O coração de menino
Batia descompensado
O pensamento no nada
O caminhão embalado
Espremido na mudança
Qual utensílio jogado
A Mulher sempre calada
Com seu vestido surrado
Adormeceu enfadado
Amontoado ao léu
Acordou no alarido
Na calçada do quartel
A rede de travesseiro
Telhado da cor do céu
Meninos extraviados
Perdidos no agranel
Inocência de criança
Arrancada na raiz
Sua sorte foi lançada
Sua vida por um triz
A lembrança do terreiro
A meninice feliz
Até hoje inda se pega
Ruminando cicatriz
Era o trem do pesadelo
Sem rumo sem direção
Sua sina que rodava
No pneu do caminhão
Uma nuvem de poeira
No lugar do coração
Era tudo de fumaça
Era o trem da ilusão
Viu o gume do machado
Viu a cobra se queimar
Viu a casa pegar fogo
Sem água de apagar
Os meninos com sarampo
As meninas a rezar
O homem fazendo planos
A mulher a costurar
A Mulher amargurada
Não aprendera chorar
Entupida de queixumes
Peito seco de rezar
Olhos cinza de tristeza
Na porteira de voltar
Centopéia de meninos
Mergulhados no azar
O escurinho da casa
Foi vitimado de praga
Menina por um fiapo
Lá se foi a gota d’água
Não nascera retirante
Não carecia de saga
Arrebatou suas crias
Esborrotada de mágoa
A Mulher de tão serena
Não cultuava lamento
Hoje nos olha de cima
Anda solta pelo vento
Aparece vez em quando
Nos olhos do seu rebento
Mudou-se da nossa casa
Pra morar no pensamento
Sugamos seu peito largo
A coragem de fartura
Sua saia de abrigo
O silêncio de ternura
Centopéia vive hoje
Sem emenda sem rasura
Calafetados que somos
Imunes a rachadura
Fomos trancados por dentro
E Ela é a fechadura!!!
Um garoto sonhador
O menino de Aningas
Muito cedo já voou
Tempo quente de fogueira
Sua terra fustigou
O jardim da sua casa
Folha seca devorou
Viajou pro fim do mundo
Numa onda de calor
Esgotada toda sorte
Abalada toda fé
Uma reza pra Francisco
Uma prece pra José
Promessa pro Pade Ciço
Pro Assis do Canindé
O sol ardendo de fogo
O rio, água no pé
Embarcou na tempestade
Levado de currupio
A estrada sinuosa
De poeira lhe cobriu
O vento nos seus cabelos
O medo fazendo frio
O cheiro de gasolina
Até hoje não saiu
O coração de menino
Batia descompensado
O pensamento no nada
O caminhão embalado
Espremido na mudança
Qual utensílio jogado
A Mulher sempre calada
Com seu vestido surrado
Adormeceu enfadado
Amontoado ao léu
Acordou no alarido
Na calçada do quartel
A rede de travesseiro
Telhado da cor do céu
Meninos extraviados
Perdidos no agranel
Inocência de criança
Arrancada na raiz
Sua sorte foi lançada
Sua vida por um triz
A lembrança do terreiro
A meninice feliz
Até hoje inda se pega
Ruminando cicatriz
Era o trem do pesadelo
Sem rumo sem direção
Sua sina que rodava
No pneu do caminhão
Uma nuvem de poeira
No lugar do coração
Era tudo de fumaça
Era o trem da ilusão
Viu o gume do machado
Viu a cobra se queimar
Viu a casa pegar fogo
Sem água de apagar
Os meninos com sarampo
As meninas a rezar
O homem fazendo planos
A mulher a costurar
A Mulher amargurada
Não aprendera chorar
Entupida de queixumes
Peito seco de rezar
Olhos cinza de tristeza
Na porteira de voltar
Centopéia de meninos
Mergulhados no azar
O escurinho da casa
Foi vitimado de praga
Menina por um fiapo
Lá se foi a gota d’água
Não nascera retirante
Não carecia de saga
Arrebatou suas crias
Esborrotada de mágoa
A Mulher de tão serena
Não cultuava lamento
Hoje nos olha de cima
Anda solta pelo vento
Aparece vez em quando
Nos olhos do seu rebento
Mudou-se da nossa casa
Pra morar no pensamento
Sugamos seu peito largo
A coragem de fartura
Sua saia de abrigo
O silêncio de ternura
Centopéia vive hoje
Sem emenda sem rasura
Calafetados que somos
Imunes a rachadura
Fomos trancados por dentro
E Ela é a fechadura!!!
sábado, 15 de outubro de 2011
ANTONIO TOMAZ

Era um homem com escudo
Com estrela no chapéu
Patente de Coronel
Decorado de metais
Me pôs no bolso detrás
Me levou pra sua casa
Me deu bico, me deu asa
Me soltou na ventania
Mas o vento que batia
Não batia como vento
Era seu ensinamento
Me preparando pra vida
Na aula de Ordem Unida
Emprego Policial
Minha formação moral
Foi sendo constituída
Essa figura querida
De caráter luminoso
Me fez um homem ditoso
A lhe dever a metade
Da mão que fiz amizade
Do bolso que fiz abrigo
Meu compadre, meu amigo
Meu tio, meu Coronel
A lembrança do quartel
Me chega doer o peito
Meu coração no estreito
Te agradece por tudo!!!
domingo, 2 de outubro de 2011
HOMENAGEM AO IDOSO

Idoso já foi menino
Traquino como ele só
Roubava doce da vó
Sumia na capoeira
Chegava segunda feira
Pra amolar a enxada
A camisa empoeirada
A cara desenxavida
Já tragava uma bebida
Nas noites de cantoria
O cheiro da companhia
Impregnado na mente
Idoso já foi valente
Não respeitava cancela
Já pulou muita janela
Fugindo das armadilhas
Já decorou as cartilhas
Pelas escolas do mundo
É sentimento profundo
É água de corredeira
É o trem da vida inteira
Se despedindo do trilho
É sonho de andarilho
No dia do lava-pé
É vazante da maré
Cansada de navegar
Um dia eu chego lá
Se o tempo for meu amigo
Se não mereço castigo
Quero a velhice comigo
A me fazer cafuné!!!!
domingo, 25 de setembro de 2011
A IDADE

A idade é como o vento
De vagareza constante
A idade é um instante
Que passa despercebido
É um menino crescido
Se preparando pra vida
É explosão incontida
Na força da mocidade
É um pouco de saudade
Do menino já maduro
É anseio de futuro
No segundo do ponteiro
É tempo que vai ligeiro
Nos braços do aconchego
É um vôo de morcego
Nos arredores da vida
É a família crescida
È uma taça de vinho
É asa de passarinho
Voando no infinito
É o tempo mais bonito
Do menino já vivido
É destino já cumprido
É arregalo de peito
É se dar por satisfeito
É se dar por concluído
Melhor é não ter morrido
Melhor é seguir vivendo!!!
domingo, 4 de setembro de 2011
TOMBADA DE CARINHO
Vestida de azul e branco
Manto de Nossa Senhora
Oi de casa oi de fora
Toda hora tem um frete
Criou família de sete
No rodado da rodeira
Nos tocos da capoeira
Na lama dos alagados
Se espojou nos salgados
No cheiro de muçambê
II
Já desbotou de chover
Sozinha no atoleiro
Gemido de fumaceiro
A consumir suas rodas
Foi amarrada de cordas
Puxada pelo focinho
No outro dia cedinho
Tava de pano passado
Na sombra dos adulado
Tratada no polimento
III
Já vem outro fretamento
La se vai outra corrida
Gente chora na partida
Com a vida separada
Só chega de madrugada
Muito fora do horário
Foi levar o seu vigário
Na novena da capela
E ficou de sentinela
Esperando o Sacramento
IV
Hoje por merecimento
Pelos serviços prestados
É patrimônio tombado
Por toda comunidade
A Rainha da cidade
Balzaquiana Senhora
Solenemente pastora
A Radio Paroquial
Prefeito cara legal
Qualquer dia lhe decreta
E torna Municipal
Nossa RURAL DO BURETA!!!
domingo, 7 de agosto de 2011
A VELHICE
A Velhice tem um pé
Na casa de todo mundo
Velhice é prato fundo
Onde a família comeu
É força que se perdeu
Do braço de farinhada
É uma mão enrugada
Com jeito de cafuné
Foi a moça da janela
Caçoava da beleza
Botava e tirava mesa
Sapateava na chuva
Que nem um cacho de uva
Num banquete colorido
Hoje apura o ouvido
No capítulo da novela
A Velhice é carregada
De mitos e preconceitos
Saudade lhe rói o peito
Com tanta indeferença
Rosário de experiência
Poço de sabedoria
É dama sem companhia
É noiva desperdiçada
Carece muito cuidado
Pra não ficar esquecido
Todo bocado comido
Sugado na mamadeira
Carinho de vida inteira
Não é dinheiro que paga
É carinho que afaga
É abraço demorado
Qualquer dia ela aparece
Na ponta dos seus cabelos
Com agulhas e novelos
Cadeira de balançar
Lhe convide pra entrar
Ofereça seu abrigo
Lhe seja um bom amigo
Do jeito que ela merece !!!
Assinar:
Postagens (Atom)


