sábado, 15 de outubro de 2011

ANTONIO TOMAZ


Era um homem com escudo
Com estrela no chapéu
Patente de Coronel
Decorado de metais
Me pôs no bolso detrás
Me levou pra sua casa
Me deu bico, me deu asa
Me soltou na ventania
Mas o vento que batia
Não batia como vento
Era seu ensinamento
Me preparando pra vida
Na aula de Ordem Unida
Emprego Policial
Minha formação moral
Foi sendo constituída
Essa figura querida
De caráter luminoso
Me fez um homem ditoso
A lhe dever a metade
Da mão que fiz amizade
Do bolso que fiz abrigo
Meu compadre, meu amigo
Meu tio, meu Coronel
A lembrança do quartel
Me chega doer o peito
Meu coração no estreito
Te agradece por tudo!!!

domingo, 2 de outubro de 2011

HOMENAGEM AO IDOSO


Idoso já foi menino
Traquino como ele só
Roubava doce da vó
Sumia na capoeira
Chegava segunda feira
Pra amolar a enxada
A camisa empoeirada
A cara desenxavida
Já tragava uma bebida
Nas noites de cantoria
O cheiro da companhia
Impregnado na mente
Idoso já foi valente
Não respeitava cancela
Já pulou muita janela
Fugindo das armadilhas
Já decorou as cartilhas
Pelas escolas do mundo
É sentimento profundo
É água de corredeira
É o trem da vida inteira
Se despedindo do trilho
É sonho de andarilho
No dia do lava-pé
É vazante da maré
Cansada de navegar
Um dia eu chego lá
Se o tempo for meu amigo
Se não mereço castigo
Quero a velhice comigo
A me fazer cafuné!!!!

domingo, 25 de setembro de 2011

A IDADE


A idade é como o vento
De vagareza constante
A idade é um instante
Que passa despercebido
É um menino crescido
Se preparando pra vida
É explosão incontida
Na força da mocidade
É um pouco de saudade
Do menino já maduro
É anseio de futuro
No segundo do ponteiro
É tempo que vai ligeiro
Nos braços do aconchego
É um vôo de morcego
Nos arredores da vida
É a família crescida
È uma taça de vinho
É asa de passarinho
Voando no infinito
É o tempo mais bonito
Do menino já vivido
É destino já cumprido
É arregalo de peito
É se dar por satisfeito
É se dar por concluído
Melhor é não ter morrido
Melhor é seguir vivendo!!!

domingo, 4 de setembro de 2011

TOMBADA DE CARINHO


Vestida de azul e branco
Manto de Nossa Senhora
Oi de casa oi de fora
Toda hora tem um frete
Criou família de sete
No rodado da rodeira
Nos tocos da capoeira
Na lama dos alagados
Se espojou nos salgados
No cheiro de muçambê
II
Já desbotou de chover
Sozinha no atoleiro
Gemido de fumaceiro
A consumir suas rodas
Foi amarrada de cordas
Puxada pelo focinho
No outro dia cedinho
Tava de pano passado
Na sombra dos adulado
Tratada no polimento
III
Já vem outro fretamento
La se vai outra corrida
Gente chora na partida
Com a vida separada
Só chega de madrugada
Muito fora do horário
Foi levar o seu vigário
Na novena da capela
E ficou de sentinela
Esperando o Sacramento
IV
Hoje por merecimento
Pelos serviços prestados
É patrimônio tombado
Por toda comunidade
A Rainha da cidade
Balzaquiana Senhora
Solenemente pastora
A Radio Paroquial
Prefeito cara legal
Qualquer dia lhe decreta
E torna Municipal
Nossa RURAL DO BURETA!!!

domingo, 7 de agosto de 2011

A VELHICE


A Velhice tem um pé
Na casa de todo mundo
Velhice é prato fundo
Onde a família comeu
É força que se perdeu
Do braço de farinhada
É uma mão enrugada
Com jeito de cafuné

Foi a moça da janela
Caçoava da beleza
Botava e tirava mesa
Sapateava na chuva
Que nem um cacho de uva
Num banquete colorido
Hoje apura o ouvido
No capítulo da novela

A Velhice é carregada
De mitos e preconceitos
Saudade lhe rói o peito
Com tanta indeferença
Rosário de experiência
Poço de sabedoria
É dama sem companhia
É noiva desperdiçada

Carece muito cuidado
Pra não ficar esquecido
Todo bocado comido
Sugado na mamadeira
Carinho de vida inteira
Não é dinheiro que paga
É carinho que afaga
É abraço demorado

Qualquer dia ela aparece
Na ponta dos seus cabelos
Com agulhas e novelos
Cadeira de balançar
Lhe convide pra entrar
Ofereça seu abrigo
Lhe seja um bom amigo
Do jeito que ela merece !!!

domingo, 31 de julho de 2011

O HOMEM QUE BRAVEJAVA


Um homem bravo beijou a minha mão
Sua barba luzia raios cor de prata
Como se fora eu parede santa
Ruminou pecados rudes de um cão

Seus olhos de pedra que olhavam medo
Agora embotados a escorrer da face
A lavar as rugas, pois, a revelar-se
Tão contrariadas de guardar segredo

Eu, que não me cabia na surpresa
Danei-me a lhe perdoar sem penitência
Ignorei-lhe de todo a sua crença
De nada me valia sua alma presa

Como recompensa cortou meus cabelos
Me beijou as faces me caí no pranto
Jurou vida eterna murmurou um canto
Me tirou as mágoas e os pesadelos

Na minha casa sempre farta de pobreza
Bonita mesa encarnada de comida
Sentado à margem na cadeira escondida
Um homem sereno manso de nobreza

Quis saber seu nome nada respondeu
Deu de ombros e se foi de cara nova
Um Santo de Homem que me pôs à prova
Pois os seus pecados eram todos meus!!!

terça-feira, 26 de julho de 2011

ÚLTIMO REPENTE


Velho Zeca meu Poeta
Meu peito é cova de dor
A gente não combinou
Poema de despedida
Essa coisa tão doída
Carregada de tristeza
Minha rima está presa
Entalada na goela
Hoje fizeste banguela
A boca da poesia
Apeou da montaria
Amarrou o seu cavalo
O corpo cheio de calos
Calos de sabedoria
Todo mundo vai um dia
Quando chega sua hora
Meu poeta vai embora
Deixando a casa vazia
Dona rita bem queria
Envelhecer do teu lado
E não te ver sepultado
Numa cova de cimento
Que toma de sentimento
O peito dos filhos teus
Lamento de cicatriz
Repousa nos olhos meus
Descansa na paz de Deus
Meu velho Zeca Muniz !!!